quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Brasil no Mundial e o Cris no Real


Por Luiz


Bom, já estava na hora d’eu voltar a fazer um post sobre futebol, e nada melhor que falar sobre os últimos acontecimentos, quentinhos.

Começando pela Seleção Brasileira que ontem venceu o Paraguai de virada no Recife, 2 a 1. O que posso começar dizendo é que mais uma vez não foi com um futebol vistoso que conquistamos a vitória. Aliás, isso é muito raro na era Dunga.

E como brasileiro adora reclamar, ainda não está bom. Sempre estivemos acostumados com seleções incríveis, como a de 70 e 82, com muitos dribles, tabelas e jogadas de efeito, características do futebol brasileiro. Agora vemos um time eficiente, com uma defesa sólida, um meio-campo marcador e na frente, nossa maior estrela, Kaka, é daqueles que pouco arriscam um drible. Robinho continua na média, sem ser tão decisivo (apesar de fazer o gol, o placar seria mais elástico se ele tivesse tocados mais a bola e finalizado melhor).

E assim vamos pra Copa do Mundo, com um futebol parecido com o de 94 e 2002, em que nossos jogadores foram lá e trouxeram a taça consigo. Apesar de nós não gostarmos desse estilo, temos de admitir que é justamente quando a seleção está contrariada e sem dar espetáculos que acontecem as grandes conquistas. Lembram de como era o time de 2005? E de como decepcionou em 2006?

Talvez seja esta a fórmula. O Brasil tem jogadores para vencer qualquer competição, mas muitas vezes isso não acontece justamente por eles entrarem de salto alto. Quando chegamos à uma Copa do Mundo mais desacreditados, tendo que provar ao torcedor brasileiro do que seus jogadores são capazes, os resultados acontecem. Pelo menos é isso que tem-se visto nas últimas vezes.

Para completar este assunto, sobre o jogo de ontem, demos azar no gol do sempre perigoso Cabañas, e demos sorte no tento de Nilmar. Foi uma vitória importante, poderia ter sido melhor, mas sabendo do nível de dificuldade da peleja, está de bom tamanho.

E que venha a Copa das Confederações!


Agora, falando sobre a última contratação do Real Madrid, que volta a ser um time de Galácticos, eu ainda estou meio desconfiado. O sempre muito humilde Cristiano Ronaldo, conhecido pelos mais maldosos como um exemplo de jogador pipoqueiro, se tornou a contratação mais cara da história do futebol.

Querem saber a minha opinião? Eu achei desnecessária esta contratação. Ele é um bom jogador, sabe encantar a torcida e tudo mais, mas quantas finais ele já decidiu pelo Manchester? Como ele jogou contra o Barcelona na decisão da Champions League, dias atrás? Pode até ser que isso mude, mas até agora ele não tem sido decisivo na seleção portuguesa e nem o foi no time inglês.

Ele está longe de ser para o mundo do futebol o que foi Zidane, até ontem a contratação mais cara da história. Se eu fosse o senhor Florentino Perez, guardava essa grana toda para comprar outros jogadores de ponta e deixar o time ainda mais forte. Com a saída de Canavarro, vai ser preciso um novo zagueiro pra segurar tudo lá trás (ui!). De qualquer modo, eu infelizmente não sou presidente de um dos times mais ricos do mundo, sou apenas um adolescente sem muito o que fazer que fica dando pitacos no que os outros fazem. Então, boa sorte ao Cristiano Ronaldo, que faça boa dupla com Kaká e que possa ser decisivo para o Real Madrid (o que não vai ser fácil, considerando seu histórico).


Antecedentes da Copa


Por Bruno


Já é fato, o Brasil está garantido em mais uma Copa do Mundo. Confirmando a vitória de 2x1 sobre a seleção paraguaia, do sempre perigoso Cabañas, o Canarinho ficou muito perto da classificação para a África do Sul. Aliás, eu acredito que os campeões de edições anteriores deveriam ter cadeira cativa para a disputa de melhor nação futebolística do globo (o que evitaria a desclassificação de seleções tradicionais, como o Uruguai, em prol de seleções inexpressivas, como o ocorrido com a Austrália, uma grata surpresa, aliás).
Infelizmente, parece que o Brasil retornará a mais uma Copa com status de campeão, ainda mais se bater as potências Itália e Espanha na Copa das Confederações, neste mês. Como a Copa será na África, o campo de jogo será neutro, tendo em vista que não haja surpresas nas chaves classificatórias, como ocorreu em 2002, onde países como Coréia do Sul (uma das sedes do torneio naquele ano), Senegal e Turquia avançaram bastante, onde houve inclusive uma decisão de terceiro lugar entre os coreanos e os turcos. Outras seleções que não podem ser ignoradas são as invictas nas Eliminatórias Européias, Holanda e Inglaterra, inclusive com 100% de aproveitamento, além de seleções tradicionais, como França, Argentina e Alemanha. A disputa também será acirrada pela artilharia, apesar dos possíveis desfalques de Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic, cujas seleções respectivas estão mal posicionados na mesma chave de classificação, temos outros grandes artilheiros, como Lionel Messi, Ruud Van Nistelrooy, Thierry Henry, Jared Borgetti (este mexicano inclusive, o maior cabeceador de todos os tempos, depois de Baltazar, ‘cabecinha de ouro’, do Corinthians), Miroslav Klose, Lukas Podolski, Andriy Shevchenko, Hernán Crespo, Wayne Rooney, Filippo Inzaghi, Mark Viduka, Alberto Gilardino, Kaká, o Fabuloso Luis Fabiano, talvez Nilmar (tomara que sim!), ou até mesmo Ronaldo Fenômeno (Deus queira que não!).
A única coisa que se pode prever é que será uma Copa de grandes jogos, talvez surpresas, como os australianos ou os sérvios, com seleções não muito divulgadas, mas que acabam chegando as vias de fato. Ao menos que nenhuma força oculta atrapalhe (seja ela em dólares, ou euros), esperamos ver uma grande peleja entre os clubes. Esperamos que o Brasil traga a sexta Copa para o país, tornando-nos hexacampeões (que nem o São Paulo), e consolidando o Futebol Brasileiro como o melhor, mais uma vez. Futebol esse aliás, o único orgulho de ser um cidadão brasileiro. Desculpem os patriotas mais exaltados, mas não podemos nos orgulhar nem mais de nossa vasta biodiversidade, fauna e flora, sabendo que esta está sendo levada por latifundiários, estrangeiros e seringueiros.


Ps. legenda da foto: "Na foto o Fanfarrão Materazzi e o artilheiro australiano Mark Viduka, numa cena de 'carinho' durante as Oitavas do Mundial"

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A desvirtualização do metal


Por Luiz


O sempre polêmico heavy metal, vertente do rock, conhecido no mundo pelo seu jeito único e inconfundível, está de certa forma com mais 35 anos de existência. Nesse meio tempo ele passou por muitas modificação e evoluções, dando origem a vários tipos diferentes, como o black metal, o death metal, o metal melódico, e etc.

Muitos consideram que seu nascimento foi quando algumas bandas da década de 70 ou até mesmo 60 resolveram usar guitarras distorcidas em músicas mais pesadas. A verdade é que as técnicas desse estilo foram popularizadas por bandas que talvez nem possam ser consideradas pertencentes a ele como o Deep Purple e o Led Zeppelin.

Foi com o surgimento do Black Sabbath de Ozzy Osbourne, o pai do heavy metal, que ele começou a se tornar um estilo definido, diferente do rock’n’roll, do rock progressivo ou do punk, que eram os mais populares na época.

Como todos nós sabemos, algumas bandas posteriores começaram a misturá-lo com letras sobre ocultismo e satanismo, surgindo o estereótipo de que o heavy metal (ou até mesmo o rock em geral) é coisa do diabo. Claro que as letras mais pesadas sempre foram mais comuns no mundo do metal, mas é preciso analisar antes de generalizar.

Mas como o intuito do post não é esse, vamos ao que interessa. Vamos tomar como ponto de partida as principais bandas do estilo como Black Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden e Metallica, junto com aquelas que o influenciaram, como o Deep Purple, Led Zeppelin e AC/DC e comparar com o que foi surgindo ao longo dos anos.

Pra começar, vemos que as músicas que foram introduzindo o heavy metal ao mundo tinham sempre suas guitarras elétricas e pesadas, porém com riffs legais e cativantes. Como esquecer o riff de Iron Man? Ou então o de Smoke on the Water? Ou então a melodia vocal de Ozzy em Paranoid? Como não arrepiar com Fear of the Dark ou não balançar a cabeça feito louco com Whiplash?

Essas músicas são trabalhadas e de certa forma até bonitas, mesmo que pareçam apenas barulho para ouvidos menos evoluídos. Característica que foi se perdendo com a criação dos vocais guturais e com a criação de sub-gêneros como o death e o black metal, que passaram a explorar de forma exagerada o peso e a velocidade.

Nos anos 80, a boa banda Helloween criou o que se pode chamar de power metal, com suas letras mais fantasiosas e os agudos nos vocais. No Brasil, Angra e, posteriormente, Shaman, popularizaram essa nova vertente, conhecida aqui como metal melódico. Exploraram ainda mais os agudos, chegando a exagerar neles. Foi também quando o teclado passou a ganhar grande importância nas composições.

O problema é que foram surgindo bandas que exploraram demais essas características, dando origem a aberrações como Sonata Arctica e Dragonforce, com suas letras muitas vezes “bobas demais”, seu sentimentalismo artificial e a velocidade desnecessária, tanto na bateria quanto na “fritação” dos solos de guitarra.

O que eu quero dizer é que, através dos anos, o heavy metal foi se fundindo com outros estilos e técnicas, dando origem a novas e boas bandas (como Dream Theater e Queensryche com o metal progressivo, o Motörhead, até mesmo o Alice in Chains, por exemplo). Mas acontece que também muito se perdeu e atualmente vemos poucas bandas como Metallica por exemplo, que ajudou a criar o thrash metal, mas se manteve fiel (até o lançamento do Load) às raízes.

Não que a evolução seja ruim, ela é boa. Mas não se pode esquecer as raízes e o que fazem do que você gosta aquilo que é hoje.

Talvez seja melhor dizer assim: o heavy metal não é, na sua essência, barulho desorganizado, músicas pesadas e desculpa pra fazer bate-cabeça. É, antes de tudo e apesar das controvérsias, um estilo musical e cultural. Apesar de existirem algumas bandas que não o representam totalmente terem sido feitas como seu estereotipo, o que há de legal no metal são os riffs bem trabalhados, a emoção, descarregar a raiva muitas vezes, curtir um som mais pesado, mas sempre com melodia e organização.

É preciso ter respeito por esse senhor que continua cativando antigos e novos fãs. Muito se fala mas pouco se conhece deste que é um dos mais famosos modos de se fazer música no mundo.


terça-feira, 9 de junho de 2009

O Futebol por uma Boa Causa


Por Bruno


Ronaldo e Adriano, ou Corinthians e Flamengo, ou até mesmo Márcio Braga e Andrés Sanchez, serão os protagonistas de um evento beneficente com previsão para o final do ano, que será realizado na Palestina – região conturbada com conflitos de cunho religioso de alta periculosidade – um jogo amistoso entre os dois times de maior torcida no país (mas que jogarão, por mera coincidência, num estádio com capacidade para 6 mil espectadores). Este jogo é uma possível reedição do ‘Jogo da Paz’, realizado no Haiti em 2004 (jogo em que o Brasil confirmou com sonoros seis gols o quão relevante é o cidadão haitiano), uma iniciativa do Governo Federal pela onírica, talvez utópica, Paz Mundial.

O jogo inicialmente seria valido pela 37ª rodado do Campeonato Brasileiro, mas por complicações lógicas será um amistoso pela promoção da paz em Israel. A iniciativa além de altruísta também parece perigosa, pois a região é uma das mais conturbadas do mundo. Oxalá não surja um xá megalomaníaco, ou um terrorista de ideais explosivos para por em cheque a segurança dos profissionais brasileiros. Sobretudo, espera-se uma partida de status mundial, talvez a única forma de destaque global provinda do Brasil (talvez o samba, entendam-no como negras voluptuosas e rebolosas, não um estilo musical), pois o Futebol é a grande especialidade do povo tupiniquim. Inclusive espera-se a presença de celebridades futebolísticas que ajudaram a consagrar nosso país, como Zico, Rivellino e Pelé.

O único fator irônico é o fato do time da Zona Leste paulista ter uma incrível má fama no cenário nacional como um time do Povo (entenda-se por Povo o mais baixo escalão de ser humano, inclusive ladrões, seqüestradores e afins), e a apresentação do ‘Timãozinho’ sub18 no último mundial, contra os ‘Galactiquiños’ do Real Madrid, estes que impuseram três tentos a zero sobre o time paulista, o que gerou trocas de socos e voadoras que causou o afastamento por cinco anos do time corintiano no campeonato. Esperemos que isto se restrinja ao time juvenil, que os culpados sejam punidos e que nenhum deles seja escalado no jogo, cujo principal objetivo é promover a Paz, não desestimula-la.


A Canhota


Por Bruno


Símbolo de bom Futebol, marca autenticada de qualidade e requinte. Com exímios cobradores de falta e pênalti, e representada por jogadores tipicamente ‘cerebrais’, a perna esquerda como dominante é há muito tempo aquela que enche os olhos dos fanáticos torcedores ao redor do mundo. Não é a toa que muitos dos camisas dez do Futebol e que marcaram época, são canhotos.
Como começar essa matéria sem citar um dos maiores lançadores de todos os tempos, se não o maior, Gérson. O ex-jogador da Canarinho que atuou ao lado de craques históricos como Pelé – que apesar de não ser canhoto, chutava com as duas – este jogador tinha passes refinados e lançamentos primorosos. Seu contemporâneo Rivellino, outro magnífico jogador de grandes efeitos na pelota, que popularizou o drible ‘ elástico’, inclusive. Há ainda outros grandes alçadores, mas dentre os canhotos, o de maior destaque com certeza é Diego Armando Maradona. O argentino impressionava com sua mágica que o tornou o maior jogador de sua geração (grande feito, sabendo que este jogou na mesma época da Seleção Brasileira de 82, aliás este sofreu com os brasileiros neste ano).
Faço este post sabendo que posso ser massacrado, uma vez que a maioria dos jogadores conhecidos são destros, além de haverem inúmeros craques que jogaram e jogam com a direita, mas na verdade peço uma análise mais detalhada nos que trataram melhor da redonda.Vejam os dribles do romeno Hagi na Copa de 94, ou mesmo os chutes potentíssimos de Adriano e Roberto Carlos e percebam o quão destacados são os abençoados com a esquerda dominante. Não é preciso nem dizer nada sobre o prodígio e principal candidato a melhor jogador do mundo, Lionel Messi. Até mesmo os melhores goleiros são canhotos, como o defensor de pênaltis Dida, ou mesmo Casillas, Buffon, Peter Cech, Barthez e a nova sensação da Seleção, Júlio César. Não só os goleiros, como também grandes zagueiros, como Heinze, Cambiasso, Materazzi, Kaladze e Guti. Notem também que todos que puderam se valer da ambidestria, como o Fenômeno Ronaldo, realizaram grandes feitos com jogadas inesperadas e destruidoras de qualquer sistema tático.
Por fim , se você não acredita nesta verdade absoluta do Futebol, saiba que o autor deste post também é um canhoto.

Is Rock Dead? Pt. 3: A Maldição do Novo Milênio


Por Luiz


Continuando com o assunto do suposto fim do rock de verdade, chegamos ao presente para avaliar o que tem surgido de novo no cenário musical e suas influências.

Bom, como já vimos no post anterior, os anos 90 foram marcantes para os apreciadores da boa música. Tivemos grandes discos e grandes bandas se destacando e tendo projeção mundial com obras de arte inesquecíveis como Smells Like Teen Spirit, do Nirvana; Alive, do Pearl Jam; Metal Contra as Nuvens, da Legião Urbana, entre outros.

Mas também foi uma época difícil, com a perda dos dois últimos grandes ídolos do rock nacional e internacional: Renato Russo e Kurt Cobain. Dois ícones que, cada um a seu modo, ajudaram a revolucionar o mundo do rock com canções que embalaram suas gerações e foram trilha sonora de mudanças no mundo. Como não lembrar da letra maravilhosa de Teatro dos Vampiros?

A questão é que parece que ainda não nos recuperamos da perda dos dois astros que agora nos vêem lá do céu (ou do inferno) e devem estar lamentando o péssimo início de milênio do mundo da música.

É por isso que eu faço a pergunta: qual banda ou artista realmente bom surgiu depois do ano 2000? Dá até pra ouvir os grilos cantando daqui. Não surgiu nada de novo, nada de impactante e excitante no cenário do rock, no Brasil ou fora dele. Aqui, acabamos vendo a revelação de “fenômenos tristes” como o Calypso (como bem definiu o grande Dado Villa-Lobos). Como este podemos citar as bandas de emo-core e a maior desgraça “cultural” da atualidade, o funk carioca. Parecemos perdidos em meio a tantas letras fúteis, músicas repetitivas e nada criativas, apelo ao sexo e falta de bom senso.

Lá fora, bandas como Arctic Monkeys e The Strokes foram apontadas como a salvação do rock. Mas apesar de não serem bandas ruins, ainda precisam evoluir muito para chegar a fazer história. Falta algo que as mais antigas tinham de sobra, talvez aquele desafio aos costumes, o senso de paz ou revolução, etc.

Ok, todos nós sabemos que os tempos são outros, outra história. Mas o que assusta é como o povo se conformou em confiar em políticos corruptos e a não ouvir mais música (o que ouvem hoje em dia passa longe de receber este elogio). Talvez alguma hora alguém resolva se desvencilhar da mídia que valoriza coisas sem valor algum e contrariar essa massa, passando a tomar uma atitude.

Atualmente, nós, fãs do bom e velho rock’n’roll, temos de nos contentar com os discos de bandas já consagradas. Não digo isso num sentido ruim, pois temos o Metallica (que depois de 17 anos finalmente lançou um álbum de verdade), Foo Fighters, Pearl Jam, AC/DC, Dream Theater, Heaven and Hell, Rush, Queen, e etc, que voltaram aos holofotes com bons discos, muitos até que não ficam devendo em nada aos antigos. Temos também boas novidades como o Chickenfoot (pra quem não conhece o super-grupo do Satriani, vale a pena ouvir!) e cds novos do Kiss e do Alice in Chains sendo produzidos.
O problema é que não existem caras novas que possam absorver o legado de ouro deixado pelos artistas citados acima para juntar com coisas novas e, com personalidade, continuar trilhando o caminho da boa música para os fãs carentes. É isso que muitos de nós ainda esperam, e outros já desistiram de esperar.

Que fique claro que eu não estou tentando desvalorizar os outros estilos musicais, o que se ouve aqui ou no resto do mundo, mas na minha posição de adolescente apaixonado pelo rock’n’roll, fica difícil não cutucar. Por mais que goste de falar, eu ainda tenho respeito por esses estilos (menos o funk!). É que você, que entende o que estou tentando passar deve estar cansado de viver em um país onde quase todos se limitam ao pagode, ao sertanejo, forró e outros, sem conhecer grandes músicas que fizeram e fazem parte da história e deve estar cansado também de ter que olhar para o passado para encontrar coisas boas e, ao voltar ao presente, ver o que temos. Pois é, eu também estou.


terça-feira, 2 de junho de 2009

O Lado Obscuro da Copa (This World Sucks!)

Por Bruno


No próximo ano, teremos o maior evento do Futebol sediado pela primeira vez no continente africano, no país mais bem estruturado economicamente da região (ou pelo menos assim se espera), a República Sul Africana. Parece que esta oportunidade única, não só vai ajudar a carente população do país, tendo em vista os 10% de aidéticos, como também vai dar margem de lucro para uma reestruturação dos alicerces do país, além de expor a África como um todo, mostrando assim o quão dependente de ajuda é este conturbado continente.
É neste ínterim de bondade e candura que podemos notar que algo não está realmente certo. Não apenas a insegurança de um evento deste porte ser disputado no continente mais pobre do mundo, nem mesmo as incertezas que rondam em torno das estruturas dos estádios – apesar de a Fifa estar fiscalizando, com sua precisão inabalavelmente perfeita. Algo está intrinsecamente oculto por trás desta escolha de sede da Copa.
Em 2003, durante a V Conferência Ministerial da OMC, que se deu em Cancun, dentre outros temas (de relevância quase que exclusiva das grandes potências, que se diga de passagem), foi discutido o Fórum IBAS, cujos integrantes que dão nome à sigla são Índia, Brasil e África do Sul, onde estes propunham a quebra das patentes dos coquetéis que tratam da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (a SIDA, ou popularmente, AIDS). Porém, estas idéias dos países emergentes iam de encontro com algumas nações integrantes do Acordo Internacional sobre Direitos de Propriedade Intelectual (TRIPS), onde os royalties pagos aos criadores dos remédios eram extremamente altos, o que dificultava sua distribuição pelo Estado, responsável pelo tratamento dos infectados. Por fim, a causa acabou sendo ganha, diminuindo assim o custo dos coquetéis anti-HIV, em dólares, passou-se de 15 mil dólares/ano, para 150 dólares/ano por paciente.
Onde relacionar este ‘momento histórico’ com o campo onde desfilarão estrelas do Futebol Mundial (com uma possível exceção de Cristiano Ronaldo, pois a seleção portuguesa não vai bem nas complicadíssimas Eliminatórias Européias)? Pois bem, o fato é que os sul africanos, um dos três integrantes do IBAS, votaram contra a proposta a favor da quebra das taxas dos coquetéis. Parece estranho, mas houve uma chamativa proposta de um dos membros da TRIPS, no caso a Suíça. Para os mais desavisados, Zurique fica na Suíça, cidade esta que abriga a sede da FIFA, entidade que gerencia o futebol mundo afora. Foi então que ‘generosamente’, os suíços ofereceram aos sul africanos a Copa de 2010, o que aliás foi uma grande jogada de marketing, e estes é claro, aceitaram em troca da desistência no IBAS. Notem a tamanha imprudência dos governantes deste país, que possui mais de 5 milhões de casos de HIV.
Por ironia, a África do Sul vai sediar a Copa no próximo ano, mas também já usufrui das quebras de patente dos coquetéis anti-HIV. Foi ou não foi um bom negócio para o país do ex-presidente e ícone negro, Nelson Mandela, herói e grande opositor das nebulosas épocas de Apartheid? Agora peço a você leitor para pensar duas vezes antes de dizer que a próxima Copa será um marco histórico da evolução da civilização que quebra, por intermédio do Esporte, mais uma barreira racial, trazendo a Copa a um país de maioria negra.