terça-feira, 30 de junho de 2009

Era uma vez África, sede de uma Copa do Mundo de Futebol


Por Bruno


Aconteceu o que tinha de acontecer. Brasil e Dunga trouxeram de volta o título das Confederações (talvez o mais importante torneio entre seleções, após a Copa e a Eurocopa, além daquele joguinho salvo no meu Memory Card, da onírica liga mundial de seleções), após cinco incontestáveis vitórias, catorze gols marcados, apenas cinco sofridos, a artilharia de Luis Fabiano (que foi marcada pelos urros e berros de Galvão Bueno, além do nada contido Luciano do Vale, outro fervoroso narrador, é por isso que eu prefiro alternar entre SporTv e ESPN), além do status de craque de Kaká, o Príncipe de Milão, agora de Madrid, que poderia ser de Manchester. Após suar contra os americanos, que após o grande jogo, páginas e páginas dos principais tablóides americanos foram inundados com notícias sobre o magnífico Brasil e o quase campeão Eua - fato raro no país que, acostumado a assistir beisebol, basquete e futebol americano, renderam-se ao Soccer, como é dito na língua local, apesar de haver alguns aficionados pela Barclays inglesa.

Fato foi que a final não poderia ter sido melhor, onde numa virada sensacional o Brasil provou e se confirmou como, novamente (infelizmente), favorito para melhor nação do mundo em 2010. Espera-se muito equilíbrio na Copa, além de uma ligeira vantagem brasileira, tendo em vista a identificação africana com os brasileiros, além de uma pequena aversão aos europeus (esta injusta, tendo em vista os massivos incentivos para que o país sul-africano tornasse-se sede deste evento de proporções globais). A Copa deverá ser um grande espetáculo para junho de 2010, onde com o advento tecnológico disponível para as televisões transmissoras do evento, poderá captar sons e imagens em high definition, onde lance a lance, detalhe a detalhe, o telespectador e o torcedor poderão desfrutar de ótimas partidas de futebol moderno, em estádios que, espera-se, estejam a altura do encontro das nações neste majestoso esporte. Brasil, Itália, França, Espanha, Argentina, Alemanha, Holanda e Inglaterra, talvez sejam as equipes favoritas, tanto pelo histórico, quanto por seus plantéis recheados com as maiores estrelas do Esporte na atualidade. O mando de campo é praticamente neutro, salvo exceções de surpresas, tendo em vista as velozes seleções africanas, pode-se esperar tudo.

A África é o último continente onde o Brasil ainda não coroou-se campeão mundial, lembrando-se das consagrações na Suécia(Europa), Chile(América do Sul), México e Eua(América do Norte) e Coréia do Sul/Japão(Ásia). Ao menos que haja copas na Oceania e na Antártida, a África é o último terreno que ainda há de curvar-se à seleção brasileira. Com o hexacampeonato, nos consagraremos definitivamente como nação do Futebol nos quatro cantos do Mundo. Se não ganharmos, ao menos torçamos para que a Itália não torne-se penta, mas sim alguma nação africana consiga a alegria suprema do Futebol, afinal eles precisam de alguma alegria e do reconhecimento mundial para este povo tão sofrido, alvo de algumas piadas maldosas, como essas que serão listadas a seguir:

· Por que o continente africano não sofrerá com problemas no abastecimento de água no país? Porque o continente já está lotado de barrigas d’água.

· Por que não passa Globo Esporte na África (tenha em consideração que existam televisores no país)? Porque o programa é depois do almoço.

· Como se faz para lotar um fusca em um país africano? Põe-se um pão dentro do carro.

· E para reunir toda a população deste mesmo país, neste mesmo fusca? Passa-se manteiga neste mesmo pão.

Apesar de mau gosto, a enumeração de anedotas acima só evidencia o quão carente é este continente, que ao longo dos anos sofreu, e ainda sofre, com problemas de saúde, alimentação, pandemias, pobreza, e outros fatores de calamidade internacional. É triste quando se observa a separação da Eritréia do resto do Chifre da África, por exemplo, para extração das riquezas naturais abundantes no país, como o ouro negro, petróleo.Ou mesmo quando se vê choques tribais, como o ocorrido entre tutsis e hutus, em Ruanda, no ano de 94 (coincidentemente ano do tetra). A aversão só de se ouvir falar em nomes como Serra Leoa, Etiópia ou Somália. Os baixíssimos índices de desenvolvimento humano (IDH) nos países da África Subsaariana. Situações caóticas e bizarras, como a enfrentada por Zimbábue (antiga Rodésia) com índices estratosféricos de inflação. Jornais e revistas mostrando regiões de conflitos, como Darfur. Filmes que evidenciam o tráfico, como a questão dos Diamantes de Sangue. Números abusivos de Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida (ou AIDS), doença oriunda deste continente, onde em países como a própria República Sul Africana registram 10% de sua população com o vírus (engrossam o índice ainda, pessoas não registradas).

Estes são alguns dos problemas da próxima sede da Copa do Mundo. Realmente a política romana do pão e circo mantem-se mais forte do que nunca. Só que agora debaixo dos calejados narizes dos facilmente entretidos com esportes e festas. Como não dizer que países inteiros são de fácil manipulação de seus governos incompetentes e corruptíveis? E o que você cidadão deste mundo mundano irá fazer: ler as piadas acima, rir-se delas e desligar seu notebook? Ou procurará fazer coro às campanhas de melhoras das condições de seus semelhantes?


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