terça-feira, 19 de maio de 2009

A Paciência do Torcedor Brasileiro


Por Bruno


Já não é de hoje que o tele e espectador brasileiro, no que se diz respeito ao glorioso Futebol, é conhecido como um árduo e contínuo ‘palpiteiro’ desenfreado e impaciente ingrato. É verdade que após presidente da República, o cargo mais importante é de técnico da Seleção Nacional, mas é também o alvo favorito de crítica dos sábios experts torcedores que se auto-intitulam, por suas atitudes e argumentos, peritos no esporte originário da Inglaterra. Mas o que mais chama a atenção é a rapidez destes ao transformar heróis em vilões, bem como a criar mitos ao redor de um péssimo jogador.

O brasileiro, uma vez fanático pelo futebol como o é, busca sempre a auto-satisfação, mas nunca mais problemas ao seu redor, tendo em vista que o esporte é o momento que ele tem para extravasar todo um acúmulo de insatisfações, trazidas consigo durante todo um período compreendido de segunda a quarta e sexta a domingo - com pequenas variações para times que sofrem, por exemplo, com a Série B do campeonato. Ás vezes, até mesmo quando o jogador faz um golaço ou grande jogada, mas por outro time (como aconteceu com Guilherme, ex-Cruzeiro, com três gols pelo Dínamo de Kiev, sendo dois deles golaços, pelos quais os torcedores ucranianos não devem estar habituados). Pior ainda quando é contra seu ex-time, como ocorreu com Nilmar com um gol que rendeu um post inteiro, inclusive.

Por outro lado, há o torcedor masoquista, que sente aquele prazer no sofrimento, o típico torcedor corintiano, que ao ver seu time em baixa, mais o ama e o inflama, que mesmo não sendo sempre um tratamento recíproco, sabendo-se claro dos constantes maus tratos com as torcidas ao redor do país (por times cada vez mais medíocres e por policiais cada vez mais bem equipados). O que dizer de um torcedor da Ponte Preta, por exemplo. Time que dificilmente aspira alguma coisa em um campeonato que participe, quando possui um ‘Elias da vida’, já o perde para um gigante paulista – o Corinthians é um grande time de São Paulo, mas comparado a Macaca, com todo o respeito possível, torna-se um gigante, apesar de alguns grandes confrontos equilibrados, como a final de 77, de Basílio e do comprado Rui Rei – e quando chega incrivelmente a uma final de campeonato, recebe sonoras goleadas, provando que não deveria estar ali.

Percebam a índole do torcedor brasileiro, a partir de uma análise em torno do grande destaque midiático do país atualmente, Ronaldo. Mesmo sabendo da batalha do grande herói nacional, que teve de se superar duas vezes, após tenebrosas cirurgias em suas patelas, campeão de Copa, com direito a dois gols na final (com sutil ajuda do goleiro alemão), autor de dez gols com a camisa alvinegra, inclusive novamente dois numa final, reestreou no último domingo no Campeonato Brasileiro Série A. Saibam, não foi uma baita volta, longe disso aliás; o craque, que deveria ser preservado para a Copa do Brasil, entrou em campo, mas não rendeu, perdendo inclusive um gol cara-a-cara com o defensor-mor das balisas, ‘do jeito que ele gosta’. Bastou este lance para ressurgirem as dúvidas em torno do jogador, se este realmente voltou a ser o que era, se está gordo e, para torcedores mais inflamados (inclusive eu, que me auto-surpreendi urrando e desferindo ofensas impublicáveis ao Fenômeno), voltou-se à tona discutir a opção sexual do atleta, que se envolveu em escândalo no ano passado com três de seu mesmo gênero.

Não busco com este texto mudar o trato do torcedor para com seus ídolos, mas sim enunciar mais um fator que enriquece e faz parte do folclórico mundo do futebol brasileiro.



Ps. legenda da foto: "O Problema é o Flamengo na cabeça, não a boca no traveco"


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